Silêncio!

Silêncio! Não quero ouvir uma só palavra sobre o preço das frutas que subiu, o pacote de fraldas que tem 5% menos conteúdo, a fila do supermercado que estava imensa, a lista de presentes de amiguinhos que fazem aniversário quase todos juntos neste fim de ano… Nada disso!

Hoje quero me alienar e vivenciar o prazer do silêncio, sem culpa, sem cartão de crédito a vencer, nem a balança a denunciar o peso que adquiri, sequer as unhas que quebram, tudo porque meus hormônios estão desregulados.

Também não quero saber de ver meu bebê sofrendo com as reações à vacina da febre amarela, nem minha pequena preocupada com “fazer ginástica pra não engordar, que ser gordo é feio” (quem disse esse absurdo pra ela???!!!), muito menos quero ouvi-la fazer a observação de que estou fora de forma. Que minha barriga é fofa e mole como gelatina.

Hoje quero saber é do prazer de estar na minha pele ouvindo meus anseios, minhas dores, minhas lutas e alegrias, as vitórias e lembrar dos detalhes ínfimos que fazem uma vida feminina feliz. Um cheiro de jasmim, uma chuva torrencial em dia quente lavando o chão coberto de desenhos feitos com giz, o calor do fogão à lenha da casa da minha avó em Dom Pedrito, o choro visceral seguindo o nascimento dos filhos…

Sou nostálgica, melancólica às vezes. E isso me faz feliz, saber que tenho histórias para lembrar. Também me refugia de ser adulta e comprometida sempre, o tempo todo de olho na agenda de tarefas a cumprir.

Por isso a tarde será uma celebração, não apenas do aniversário dos amiguinhos da Larissa, mas do ócio duma tarde de domingo, do tempo de colocar as conversas em dia com outras mães como eu, que adorariam estar atiradas no sofá cochilando, mas que preferem que seus filhos vejam que existe um mundo lá fora, cheio de atrativos, não apenas cobrança e exaustão.

Essa divagação me leva aonde mesmo?

Pra dentro de mim.