A felicidade nossa de cada dia

No momento em que estamos vivendo, nem sempre somos capazes de avaliar o quanto estamos sorvendo de felicidade; talvez depois de alguns muitos dias e até anos depois vemos que a vida é feita de ciclos vários e que temos tipo doses nem sempre homeopáticas de felicidade intercaladas com outras doses, de muitas outras coisas.

De que é feita a satisfação pessoal? – Muitos defenderão a tese de que é ter estabilidade financeira, já que felicidade não se compra, mas sofrer numa poltrona da primeira classe de avião cuja rota é internacional é bem mais bacana do que chorar as pitangas num coletivo lotado rumo a Mato Leitão.

Satisfação pessoal é mesmo algo subjetivo ou algo que construímos coletivamente?

Nossos desejos cada vez mais são orientados por estratégias de marketing e podemos ver principalmente nas crianças a facilidade com que se desinteressam por algo que ficaram por muito tempo ansiando por ter.

Em momentos como esse me pergunto se não somos totalmente inquietos e eternamente satisfeitos ou se estamos colocando nossas energias nas coisas erradas, tendo em vista que as coisas que mais nos satisfazem não podem ser avaliadas em moeda de troca, nem em medidas de peso, comprimento, volume…

Talvez medir o número de batimentos cardíacos gerados por uma gargalhada de criança, abraço de amigo amado de quem estamos com saudades, beijo apaixonado nem seja possível, porque os hormônios todos ficam tão em ebulição que seja uma cascata de eventos difícil mesmo de mensurar.

Mas tenho sentido isso e consigo reconhecer; ver que a cirurgia do tio parece ter dado certo, que ele se recupera bem e está otimista teve um efeito tremendo em mim. Não sei se consegui expressar, mas senti imensamente.

Também, ver as crianças rindo satisfeitas com uma brincadeira bem simples gera esse turbilhão de serotonina, endorfinas e mais todas aquelas substâncias relacionadas a prazer, bem estar, satisfação e realização.

Com certeza não consigo ser feliz apenas com questões individuais, mas percebo a felicidade alheia como algo que me contagia e encanta por muito tempo.

Mas sigo em busca, talvez inutilmente, daquela felicidade que é possível ter entre os dedos, como o diploma da universidade, uma realização que parecia não ter fim, que me enchia de valentia e coragem. Talvez ela esteja justamente em tudo aquilo que não tenha olhado ultimamente. Ou que esteja reavaliando, como bom ser ruminante que sou.
Coisas pelas quais sou grata/feliz, sem uma ordem de importância:
1) Realizo diariamente o sonho de ser mãe, de 2 crianças.
2) Beijos dos meus filhos e marido.
3) Cheiro da minha mãe. Aquela coisa de pele que ninguém explica, só a maternidade.
4) O planeta é um mundo melhor por existirem meu marido e meu irmão. O meu pai também, mesmo sendo “o único que não é chato” da família.
5) Tenho amigos de infância com quem convivo ainda hoje. E os que fui adquirindo ao longo de toda a existência também são pessoas bacanas que faço questão de mantê-las próximas, como a vida e a tecnologia permitem.
6) Tenho uma saúde legal, mesmo não sendo perfeita. E pretendo melhorá-la sempre dentro duma medida honesta comigo mesma.
7) Minha casa reflete o que penso sobre um lar: aconchego; além de ser própria, é onde me sinto bem e vejo que meus amados também sentem isso.
8) Gosto muito do bairro onde moro, pois tem praças, comércio, relativa segurança, é próximo dos lugares onde gosto de ir e acordo conseguindo ainda ouvir os pássaros cantarem.
9) Acho que a educação que recebi está num nível legal, me possibilitou enfrentar muitas coisas com uma bagagem cultural interessante, principalmente me estimulando a não me contentar com qualquer coisa que me digam ou façam.
10) Sou amiga de verdade dos meus cunhados e sobrinhos e isso faz uma tremenda diferença na minha vida.
11) MEUS CÃES: amigos fiéis, carinhosos, barulhentos, já cheios de manias, refletem muito a personalidade de seus donos. Fofos e queridos do meu coração. E sabem ser solidários em qualquer ocasião!
12) Acho que em boa parte das vezes consigo me expressar bem e isso me permite realizar muitas coisas.
13) Gosto de aprender sempre e isso foi tão forte em mim que aprendi a ler cedo. Adoro ler sobre todos os assuntos.
14) Internet. O mundo acessível num toque de dedos. Conhecimento a um “googlelímetro” de distância… Muitos dos amigos que reencontrei foi em redes sociais e isso foi muito especial quando morava fora de Porto Alegre. E continuo procurando, encontrando, investindo em não perdê-los de vista.
15) O clube. Um investimento recente e que me faz feliz por permitir uma certa liberdade, com segurança e próximo de casa o suficiente para que eu possa voltar a me exercitar na medida, sem neuras.
16) Gostamos de fazer planos juntos, mesmo depois de quase 13 anos juntos. Isso reflete o suficiente o quanto gosto de estar casada com essa figura. Temos aquele “tchan” ainda.
17) Gosto pra carmaba de conversar com meu marido e ele me faz rir.
18) Sou brasileira “com muito orguuuulho, com muito amoooor”. E gaúcha!!!!!!
19) Saúde dos meus amados.
20) AGADIM, uma perspectiva para 2010 ser ainda melhor que 2009.
21) Adoro dirigir. Mesmo que isso soe materialista, dirigir tem momentos em que é até terapêutico.
22) Geralmente gosto das minhas roupas, mesmo que isso também esteja entre as questões mais palpáveis. Como toda mulher, tenho meus dias em que acho que não tenho nada, mas não passo vergonha, eu acho.
23) Temos alguma reserva e fazemos planos dentro de nossas possibilidades. Não desejamos nada megalomaníaco e realizamos várias coisas das quais temos orgulho, como família.
24) Gostamos de cozinhar e o que diga respeito a isso. Gostamos de inventar receitas novas e experimentar. E não fazemos feio, apenas acabamos incrementando nosso I.M.C., mas nada problemático.
25) Livros.
26) Música.
27) Filmes/seriados.
28) O SOL. Vitamina D, pra fazer feliz, pra fabricar serotonina, pra fixar cálcio nos ossos, pra lagartear… pra crescer e ser feliz.
29) Banho de chuva.
30) Honestidade. A verdade pode doer, mas faz crescer também.
31) Generosidade, compaixão, solidariedade. Aprendi em casa e procuro dar continuidade à idéia de que existe uma corrente do bem, aind aque intuitivamente, sem programação.
32) Posso dizer que já fiz um bocado de voluntariado em coisas que me deram satisfação.
33) Tenho uma fé que procuro exercitar diariamente.
34) Tenho uma alimentação saudável, que me permite inclusive ingerir umas tranqueiras de vez em quando, sem culpa.
35) Completo 35 anos em 2010.
Se continuar pensando, facilmente chego a pelo menos 50 itens.Agora quero curtir meus kids.